É com satisfação que, na qualidade de editor deste blog, publico a apresentação/roteiro da palestra “Energia Escura: O Universo em expansão acelerada” de autoria do prof Dr Alaor Silvério Chaves, meu colega no DF-UFMG, que nos autorizou postá-la aqui. O autor é um dos físicos brasileiros mais conceituados no cenário nacional assim como no internacional; é PhD em Física pela University of Southern California, membro da Academia Brasileira de Ciências, ex presidente da Sociedade Brasileira de Física e autor de centenas de trabalhos científicos, livros tanto didáticos, adotados em diversas universidades brasileiras, assim como de romances, poesias e demais trabalhos de qualidade em variada gama de temas de interesse. A apresentação abaixo foi preparada pelo prof Alaor para apresentação como palestra convidade da aula sobre Cosmologia Moderna no dia 17/11/11 no curso Einstein no Terceiro Milênio, sob nossa coordenação, ora em andamento na UFMG.
Laureados com o Prêmio Nobel de Física de 2011
pela descoberta do Universo em Expansão Acelerada
Palestra de Alaor Chaves: Energia escura e o Universo em expansão acelerada
Para acessar à apresentação ppt da palestra clique no link acima e descubra como evoluiram os conhecimentos sobre a Expansão do Universo, desde Edwin Hubble (1929), apoiado por pesquisas anteriores, até se chegar ao tema do Premio Nobel de Física de 2011, com o Universo em expansão acelerada; veja também o alerta levantado pelo prof Alaor, quando apresenta sobre o modo como se processam algumas disputas anti-éticas pela “posse” de áreas do conhecimento; veja também como grandes instituições, como a Academia Real de Ciências da Suécia, responsavel pela nomeação do Prêmio Nobel de Física ultrapassa esse tipo de disputa tão indesejado na Ciência, e reconhece o valor dos trabalhos pioneiros, independentemente da afiliação dos pesquisadores a grupos específicos.



Lí com muito interesse a palestra do prof. Alaôr nesse site.
Contudo, fiquei com uma dúvida.
Na palestra a lei de Hubble é mostrada como sendo v = Ho.d.
Uma relação portanto linear.
Já no final da palestra, ele mostra que observações das duas equipes citadas confirmam um universo em expansão acelerada e portanto, não linear. Os gráficos apresentados mostram linearidade apenas para pequenos desvios para o vermelho, ou seja para estrelas não muito distantes.
Em seu livro Física Básica IV volume, Moysés Nussenveig propõe para a lei de Hubble a seguinte relação: v(t) = H(t).d(t) onde H(t), parâmetro de Hubble, é uma escala de distância que evolui com o tempo, correspondendo à expansão do universo.
Essa nova representação da referida lei permite tanto uma expansão ou colapso lineares como não lineares.
Agora, a dúvida: qual a razão de se manter a constante Ho já que a expansão do universo observada é acelerada? No início, Ho apresentava o valor 500. Depois esse valor foi ajustado para 70 ou 71.
Percebe-se então que, em um universo acelerado, Ho é função do parâmetro H(t). Em outra palavras, não é constante.
A observação de um universo acelerado não “mata” a constante de Hubble?
By: Léo Lucas Rugani on November 9, 2011
at 15:44
Olá Léo, voce continua com a percepção aguçada. É isto mesmo: Ho prevaleceu como uma constante ao longo do S~eculo XX e, com a descoberta de 1998, que valeu o P Nobel de 2011, a realidade da aceleração mostrou que aquilo que pensávamos ser uma reta na curva V x t é de fato uma curva e a inclinação não é de fato constante; assim o valor preliminar Ho = 1/13.7 bilhões de anos passa a se mostrar com valor variável (maior) à medida que aprofundamos no tempo, como se houvesse algo nos puxando (nós ou nosso Universo do presente) para “fora” – a pergunta é: para fora de onde, se o Universo é fechado? O fato é que as galáxias mais antigas fugiam entre si com menor ímpeto que as mais próximas (+ próximas de nós no espaço e no tempo); estamos fugindo umas galáxias das outras mais rapidamente, a taxa de alargamneto do Universo é mais acentuada do que fora no início. Resumindo: Ho é apenas uma “constante histórica”, maior quando calculada com dados mais próximos do nosso espaço-tempo do que quando calculamos (o inverso da derivada) para pontos dos primórdios do Universo.
Quanto a seu comentário do H variar com o tempo, entendo que é correto: o valor 1/H vale hoje 13,7 bilhões de anos mas, se alguem estiver vivo dentro de 0,3 bilhões de anos e medir H encontrará 1/H = 14 bilhões de anos. Isto sem falar na questão da aceleração.
By: Aba Cohen on November 9, 2011
at 17:49
Léo,
Eu escrevi a lei de Hubble na forma que ele propôs. Ao chamar Ho de constante, ele não quis dizer que seu valor não muda com a evoluçao do universo. Ho é constante no sentido de que seu valor é o mesmo para todas as galáxias, a menos de pequenas variações estatísticas, pois além do movimento devido à expansão do espaço as galáxias se movimentam aleatoriamente com velocidades menores. Essa é a razão pela qual no gráfico as galáxias não se encontram exatamente sobre a reta. Os estudos que levaram à descoberta da energia escura tiham como propósito exatamente encontrar a diminuição de Ho(t) com o tempo. Para espanto de todos, encontraram um aumento de Ho(t).
As mudanças encontradas antes para Ho não refletem nada de real, elas apenas se devem ao fato de que as medidas de distâncias foram ficando mais precisas.
By: Alaor \\\\\\\\\\chaves on November 18, 2011
at 15:17