Posted by: Aba Cohen | April 10, 2010

Sobre matéria escura e bobagens sobre mini-buracos negros no LHC

 

Matéria Escura é o nome dado a uma imensa e hipotética massa invisível, presente no Universo e  susceptível de interagir gravitacionalmente com a matéria visível, deformando o espaço-tempo, sem cargas para atuar diretamente sobre a luz. Essa matéria estaria distribuida no Universo para dar conta de explicar a dinâmica dos movimentos galácticos, já que a quantidade conhecida de matéria visível não consegue explicar à luz das teorias vigentes. Há 2 semanas (22/03/2010) o periódico Technology Review, publicado pelo MIT, divulgou um artigo com novos dados sobre uma hipótese já conhecida, relacionada a essa tão procurada e ainda não detectada massa. Esse artigo atribui os efeitos dinâmicos à presença de uma imensa quantidade de indetectáveis buracos negros espalhados pelo universo. Sua interação com a matéria visível (estrelas da Via Láctea e demais galaxias do Universo) seria uma meneira de explicar o fenômeno.  Nesse caso, afirma o pesquisador Paul Frampton da Universidade da Carolina do Norte, uma miríade de buracos negros com massas entre o mínimo de ~1022 Kg ( cerca de 1 centésimo da massa terrestre) e o máximo de ~ 1036 Kg (um milhão de massas solares) dispersos pelo universo seria a melhor proposta para explicar “onde” estaria escondida tanta massa, capaz de gerar efeitos gravitacionais fantasticamente intensos sobre a massa visível e ser  ao mesmo tempo invisível. Segundo o pesquisador, buracos negros com massas superiores a 106 massas solares são improváveis pois impediriam a formação e estabilidade das galaxias; por outro lado, buracos negros com massas inferiores a ~10-8 massas solares, mesmo que formados por algum fenômeno aglutinador, seriam instáveis e não poderiam perdurar porque evaporariam pelo processo conhecido como “radiação de Hawking” numa taxa maior que sua capacidade de incorporar mais matéria.

Isto me fez lembrar as bobagens que andaram e andam falando a respeito dos mini-buracos negros do LHC. Mesmo com o acelerador do CERN funcionando desde o dia 30 de março/2010 -sem incidentes catastróficos- ainda continuam circulando mensagens alarmistas sobre mini-buracos negros. Não importa se foi uma brincadeira de 1o de abril, a pegadinha do virgula.uol acaba por ajudar a perpetuar o pânico sobre um fenômeno impossível de acontecer, ou seja: um mini-buraco negro que cresce descontroladamente no interior do LHC. Para quem não conhece, pode até parecer que isto é uma possibilidade que nos espreita. A realidade no entanto é bem diferente, como afirma o artigo do Technology Review, que garante a estabilidade do Universo pela limitação do tamanho dos tão temidos mini-buracos negros, uma vez que, com massas menores que 1% da massa do planeta já não se auto-sustentariam; imaginem um buraco negro formado pela colisão de 2 míseros prótons? Eles podem até ser formados, mas se evaporariam imediatamente!!!


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