Posted by: Aba Cohen | August 8, 2010

O Sólido de Einstein e a Web Fluida – Einstein’s Solid and the Fluid Web

text in Portuguese – for the text in English, see the post above

Para informações sobre o curso Einstein, clique aqui

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Sherlock Holmes, no excelente “Estudo em Vermelho” de Sir Arthur Conan Doyle, é o autor de um artigo onde defende que “A partir de uma gota de água, um pensador lógico poderá inferir a possibilidade de um Atlântico ou de uma Niágara, sem ter jamais visto um ou outro ou, sequer, ouvido falar a respeito. Assim, a vida é uma grande cadeia, cuja natureza pode ser depreendida a partir do simples confronto com um de seus elos….”. Do mesmo modo, conseguimos inferir um Atlântico, tendo como ponto de partida a palestra de Gil Giardelli “Tudo que é sólido, desmancha na rede” a qual ele abre, com inteligência e premonição, usando a sentença que parafrasea Karl Marx: “Tudo que é sólido, desmancha no ar.

A correlação que se faz entre o “desmanchar do sólido” e a gota, que nos leva ao Atlântico, vem da comparação que fazemos entre o Modelo de Einstein para um material sólido e o modelo equivalente para uma substância líquida. Na fase sólida (modelo de Sólido de Einstein), massas (átomos) vibram como se estivessem presas a molas (forças eletromagnéticas) numa correlação rígida em que cada ponto dessa “rede primária” possui um limitado número de primeiros vizinhos fixos (6 no caso de um sólido de estrutura cúbica – Figura 1)

Figura 1: Átomo de Einstein em estrutura cúbica simples, interagindo com 6 primeiros vizinhos. =A funcionalidade deste modelo pode ser comparado a um livro convencional (de papel)=

Quando Giardelli compara a Web com a “dissolução de um sólido”, salta-nos aos olhos o processo de fusão e,  por consequência, o modelo que a física utiliza para descrever a fase líquida (daí a gota de Sherlock Holmes): Cada nó dessa nova rede (seja ele um átomo ou molécula do líquido ou um internauta) se relaciona com diversos primeiros vizinhos e o mais importante: de modo dinâmico, sem manter elos fixos (forças de Van der Walls), podendo assim fluir e manter contato permanente com primeiros, segundos, terceiros… vizinhos permanentemente em movimento (figura 2).

Figura 2: Duas moéculas A e B que interagem com primeiros, segundos, terceiros... vizinhos em um fluido; todas as demais moléculas (em cinza) têm comportamento e movimento semelhante. =A funcionalidade deste modelo pode ser comparada à de um e-book=

Muito além do Atlântico, podemos especular e também encontrar “new trends” da Web, se continuarmos estendendo este modelo para os outros estados da matéria: à medida que se aumenta a entropia do sistema (interações ainda mais rápidas, amplas e flexíveis, consequentes do aquecimento do sistema – ou máquinas mais nervosas?), atige-se o próximo estado: a fase vapor. O “Modelo Giardelli” se confirma uma vez mais já que podemos traçar agora um paralelo com a “computação nas nuvens”, nome aliás muito apropriado já que as gotículas existentes em uma nuvem (na fase de vapor) interagem de modo ainda mais integrado -exatamente como no “cloud computing” onde se incrementa a agilidade do sistema (aumento da entropia) pela integração/delocalização de diversos recursos como memória, aplicativos etc… Um adeus ao medo de perder os dados ou ter que converter todos os arquivos para novas midias a cada 2-3 anos: cartão-perfurado>discão de 8″>disco 5″1/4>diskete 3,5″>zip-drive>CD-R>CD-RW>DVD>pen-drive… podemos jogar tudo fora!!! é onde estamos agora, a fase vapor – ou melhor, nuvem.

Acima desse estado da matéria (e da arte), passamos para a fase gasosa, ainda por aparecer na web -não confundir gas com vapor. Nessa fase cada unidade (átomo/molécula/internauta?) tem total autonomia, altíssima velocidade, interação complexa e mais livre com seus vizinhos de diversas ordens de proximidade, e consegue atingir todo o espaço que lhe é disponibilizado (o seu universo): Em outras palavras, o gás ocupa todo o volume que o contém. Isto leva o gás a determinar -estatisticamente- todas as propriedades macroscópicas do sistema.

Mas a Física não para por aí. O estado seguinte é o plasma: um gás de íons de altíssima energia cujos elementos estão desprovidos das camadas eletrônicas externas. É uma substância altamente interativa, de entropia fantástica, que encontramos na ionosfera: ela tem a habilidade de atuar ressonantemente –  emitindo/refletindo/refratando radiações eletromagnéticas – e em mantendo a analogia, é exatamente no modelo da ionosfera que está o futuro da Web. Aposto. 


Responses

  1. Muito boa a relação da web com os estados da matéria, sólido, o fluido e o plasma (que nem nuca soube ao certo o que seria). Adorei o post, dá pra desenvolver toda uma teoria aí, que pode passar tb pelas redes sociais –> no mundo físico X a sua fluidez quando o ambiente é na web. Tb adorei a citação do Sherlock/Conan Doyle🙂
    Bjos!
    Su

    • Suzana, o que está por trás dessa analogia é, do lado da física, a temperatura a qual representa o estado de agitação – rapidez molecular- alta e crescente entropia; e do lado da Web, o incremento da capacidade das máquinas , processos cada vez mais rápidos e integrados, mas que dão fluidez cada vez maior aos recursos de criação, discussão, troca de idéias. Enfim, a ionosfera é o limite,,,, se é que existe limite!!!

  2. Olá amigos, deixo aqui a minha dica:
    A Rede de Popularização da Ciência e da Tecnologia da América Latina e do Caribe (Red-POP) recebe até 15 de novembro, propostas de trabalho para a 12ª Reunião Bienal que acontece no Brasil, organizada pelo Museu Exploratório de Ciências (MC), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), de 29 de maio a 2 de junho de 2011.
    Com o tema “A profissionalização do trabalho de divulgação científica”, o encontro aceitará tanto trabalhos de pesquisa, de caráter acadêmico, quanto de profissionais da área, interessados em relatar suas experiências. Cinco eixos temáticos vão nortear a 12ª Reunião: Educação não-formal em ciências; Jornalismo científico; Programas e materiais para museus de ciências: materiais e práticas concretas; Museografia e museologia científica; Público, impacto e avaliação dos programas.

    • Letícia, agradeço esta ótima dica. Repassarei para outros colegas interessados no tema.

  3. Nas industrias e oficinas metalurgicas, o plasma é utilizado para o corte de chapas de metais eletricamente condutores, pela sua acurada precisão e alta velocidade.
    A partir dos anos 1970, esse processo de corte, pela sua qualidade, tornou-se obrigatório para a manufatura de peças em aços carbono, aços inoxidáveis e aluminio.

    • Olá Leo, fico satisfeito em vê-lo visitando este blog. Sei que além da Teoria da Relatividade voce tem excelente domínio nessas questões da Engenharia. Você tem razão, o plasma [a metáfora que usei para o último (?) estágio da WEB] está presente não só na ionosfera mas é usado tecnologicamente na industria metalurgica em máquinas de corte como também em soldas TIG (Tungsten Inert Gas) quando um jato de plasma de argonio (por exemplo) é gerado e ejetado em altíssima temperatura das proximidades de um eletrodo de tungstênio em direção a um alvo (peça) aterrado; em fornos a arco a mesma técnica é utilizada para fundir peças/amostras. Continue aparecendo. O curso Einstein continua acontecendo, agora na UFMG com uma série de palestras.

      Abraços
      Aba Cohen


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