Posted by: Aba Cohen | November 9, 2010

O Enem 2010, justiça a 4 milhões e o MEC

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sobre o Enem e a justiça leia abaixo:

 

Ainda que tenhamos combatido o uso dessa forma de avaliação “por atacado” e apoiado a manutenção das 2 etapas no vestibular da UFMG, agora temos que aceitar o Enem como fato e entender que é praticamente impossível rodar mais de 4 milhões de provas sem que ocorram erros – mesmo que haja controle de qualidade. Sendo assim, é altamente provável que um certo número candidatos sejam prejudicados por falhas dessa natureza. Por mais que se repitam exames com um número tão grande de provas e candidatos, SEMPRE haverá erros. Os juízes de direito sabem que, mesmo com um único indivíduo, isto pode acontecer. E é para corrigir injustiças que os juízes estão aí para ajudar a Sociedade.

Se um único candidato fosse prejudicado por erro de impressão, certamente o erro teria que ser corrigido e ele teria que ser submetido a um novo exame de mesmo grau de dificuldade para fazer valer seus direitos. Não se cancelaria os demais 4 milhões de provas por esse motivo. O mesmo deve valer para 2 candidatos ou para 20 mil prejudicados – valer seus direitos.

O que interessa na discussão do momento é a questão da isonomia: como fazer para que esses (um, dois ou 20 mil) candidatos tenham igualdade na avaliação, em comparação com aquela feita aos demais 4 milhões (99,7%) já devidamente? A TRI (Teoria de Resposta ao Item) é um método inteligente e justo, que avalia e pontua em função do grau de dificuldade de cada item (questão). Já trabalhamos na elaboração de diversos tipos de exames de seleção como este; a cada ano, nos vestibulares UFMG da antiga 1a etapa e mesmo da 2a etapa, são elaboradas centenas de questões “extra” que são classificadas com diferentes graus de dificuldade. Até esse ponto, haveria uma subjetividade grande em se confeccionar 2 provas com “igual” grau de dificuldade. No caso da TRI, quem vai determinar o grau de dificuldade e o subsequente valor de uma dada questão são os próprios candidatos, acertando maior número ou menor número de itens. Nesse caso, o MEC conseguiu um método em que é feita uma ponderação da nota de cada item para que cada prova -item a item- tenha o mesmo grau de seletividade: ajustando os pesos (+ difícil ou + fácil – COM BASE NA PROVA, APÓS SUA REALIZAÇÃO) são ajustados parâmetros a posteriori, de modo a empatar com exatidão o perfil de notas de um novo exame em comparação com o anteior. Temos que entender que, mesmo na confecção de dezenas de provas diferentes (existem bancos com centenas de milhares de questões), ainda assim poder-se-ia confiar em diferentes exames com mesmo grau de isonomia.

Sendo assim, mesmo que não gostemos do Enem, é importante que sejam razoáveis com essa geração de jovens que enfrentam as dificuldades desta fase. É essencial que as decisões judiciais sejam inteligentes, sem desacreditar a JUSTIÇA e sem levar 4 milhões de futuros profissionais -nossos futuros colegas- a passar por mais esse sacrifício: fazer -inutilmente- outra prova. Por mais que se repita a aplicação de provas nessa escala, novos problemas desta natureza e novos recursos irão aparecer.


Responses

  1. Oi, professor.
    Apesar desse assunto ter sido postado em novembro do ano passado, só agora tomei coragem de abordá-lo. Trata-se de um assunto delicado. Sua opinião sobre o ENEM como forma de avaliação, para mim é adequada.
    Contudo, com ou sem ENEM, o problema da admissão numa Universidade brasileira vem crescendo de ano para ano com o aumento do número de candidatos. Hoje, fala-se de cerca de quatro milhões de provas que terão de ser aplicadas e corrigidas só pelo ENEM.
    E isso significa que num universo de cerca de 190 milhões de brasileiros, no máximo 5% da população estará disputando vaga numa Universidade. Estou eliminando a população com idade superior à 40 anos e inferior à 18 anos. Minha estimativa é que esses dois grupos de população atinjam a 60% da população total.

    Desse universo de candidatos, o nivel de aprovação é absurdamente pequeno e não erramos muito se admitirmos que pouco mais de 10% dos candidatos consegue entrar e a completar o curso universitário. Ou seja, menos de 1% da população total do Brasil possui graduação universitária.
    Além do que a qualidade do ensino superior vem sendo ultimamente muito contestada.

    Isso nos faz sentir que alguma coisa está errada. E muito errada.
    Na sua opinião, como enfrentar o problema? As soluções de nações como Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha,
    França, etc, seriam viáveis aqui no Brasil?

    • Olá Léo, concordo com voce quando comenta sobre o funil que o ENEM representa para a fração da população aspirando por uma vaga nas universidades brasileiras. Estou absolutamente convencido de que o sistema anteior – dos vestibulares exclusivos e específicos de cada universidade – mesmo não sendo o melhor método de seleção, era muito mais adequado aos interesses e diretrizes de cada instituição. O ENEM faz todos passarem por um gagalo cheio de defeitos, a começar pelas provas -massacrantes e longe de serem um primor. No post eu não defendo o exame em si, mas tão somente o critério adotado na quantificação dos pontos, quando da aplicação de um novo exame para uma fração projudicada. Nesse aspectos os pedagogos acertaram, criando um método de normalizar a avaliação feita mesmo se aplicarem exames diferentes. Concordo que, enquanto os paises mais adiantados aprimoram os métodos de alimentarem os quadros universitários de modo cada vez mais seletivo, no Brasil se busca a popularização de algo, que sabemos, não é para todos mas, tão somente para os mais capazes.


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