Posted by: Aba Cohen | October 17, 2011

Neutrinos: Einstein sai ileso

As notícias divulgadas em 23/09/2011, dando conta de que neutrinos viajando entre o CERN, Genebra, e a mina de sal em Gran Sasso, Itália, seguiram com velocidades supraluminais, sofreram um grande revez hoje, 17/10/2011.

O físico holandês Ronald van Elburg  da Universidade de Groningen refez os cálculos de distância e tempo e observou que os satélites de controle do sistema GPS, usados na sincronia dos relógios nos pontos de partida e chegada dos neutrinos, não são estacionários, mas se movem com velocidade “v” em relação ao solo. Nessas condições, os satélites “enxergam” uma contração espacial suficientemente grande para derrubar a supraluminosidade: O que aconteceu foi que,, ao se dividir a distância (no referencial Terra) pelo tempo medido/sincronizados pelos satélites obteve-se um valor maior que “c” (velocidade da luz no vácuo).

Mas essa mistura de referenciais de medição não leva a resultados corretos. Ao levar em conta esta observação de van Elburg, podemos corrigir a conta dividindo uma distância mais curta (medida no referencial do satélite movel), encolhida relativisticamente de uma quantidade proporcional ao inverso do fator de Lorentz ([raiz quadrada de (1- v2/c2)], pelo intervalo de tempo TAMBÉM MEDIDO NO MESMO REFERENCIAL (o satélite). Nestas circunstâncias o valor da velocidade dos neutrinos passa a ser menor que a velocidade da luz. Assim, pelo que afirma Elburg, Einstein sai ileso, uma vez que afirmou que nenhum corpo material pode ter velocidade supraluminal.

Não fosse esse erro de medição, segundo Elburg, e os neutrinos tivessem mesmo velocidades supraluminais, mesmo assim Einstein sairia ileso e a Teoria da Relatividade Especial (TRE) NÃO perderia validade, uma vez que há espaço na teoria para que partículas com massa imaginária -que é o que se propõe para os  táquions, partículas previstas teoricamente-  possam ser multiplicada por um fator de Lorentz, também imaginário (v2/c2 > 1), produzindo condições para um observável real.


Responses

  1. É incrível que cientistas do CERN que conduziram a experiência não tenham levado em conta os efeitos relativísticos denunciados por van Elburg.
    Isso mostra uma falha de revisão tanto na fase de análise dos dados obtidos quanto na fase de divulgação desses dados.
    O engano cometido pode comprometer a credibilidade da instituição.
    No meu modo de entender as coisas, o CERN deverá se manifestar a respeito. Aguardemos.

    • Olá Leo, quem afirmou isto foi Elburg em seu artigo da semana passada (nem eu nem você) e se de fato ocorreu essa imprudenccia é mesmo uma falha grande.

      Resta saber se os pesquisadores do OPERA, lotados num centro de pesquisas como o CERN e rodeados de tanta gente capaz teria realmente cometido esse erro. As notícias ainda são desencontradas e teremos que aguardar para ver o que de fato está acontecendo. Pelo sim, pelo não, o título deste post tem nas entrelinhas um “por enquanto” Einstein sai ileso. Em minha opinião pessoal ele sairá ileso sim, mas depois de se trabalhar exaustivamente na questão das medidas -sincronizações e medidas eletronicas de sinais em ps (pico-segundos) não é nada trivial.


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